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Goiânia vistoria 65 mil imóveis para combater a dengue



Agentes de saúde da prefeitura de Goiânia (GO) pretendem vistoriar 65 mil imóveis em cinco dias na tentativa de reduzir o alto índice de infestação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Nas duas primeiras semanas deste ano, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) detectou um aumento de 311% no número de casos notificados da doença na capital, em relação ao mesmo período no ano passado.

Para concluir o "mutirão", a SMS mobilizou 526 agentes de combate a endemias e supervisores. Os 65.449 imóveis estão nos dez bairros com maior índice de infestação do mosquito. "A nossa intenção é concluir essa vistoria até sexta-feira, em cinco dias. Mas se não der, com mais um dia a gente completa", disse o supervisor do combate à dengue da SMS, Gildo Felipe de Paula.

O diretor do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental da SMS, Geraldo Edson Rosa, disse que uma pesquisa recente feita na região metropolitana de Goiânia mostra que 97% da população sabe o que é dengue e como combater o mosquito que a transmite. "Mas tem muita gente que não faz nada. Que prefere responsabilizar o outro. É complicado. É como no caso do cigarro, que todo mundo sabe que dá câncer e continua fumando", afirmou.

Os agentes procuram focos do mosquito em cada casa visitada. E eles aparecem nos locais mais inusitados. No Setor Leste Universitário, foram encontrados 28 focos em vasos sanitários desde que o mutirão começou, na segunda-feira.

"Só nas visitas desta semana, vimos focos em vasos sanitários, na água do cachorro, em calhas. Em áreas mais nobres tem muito foco em baldes e bacias que as pessoas deixam para juntar água de chuva para economizar na hora de lavar a casa ou calçada", disse o supervisor de combate à dengue na região Campinas/Centro, Pedro Ferreira da Silva Filho.

Segundo Rosa, problemas no final do ano passado colaboraram para o alto índice de infestação atual. Por várias semanas, o inseticida usado era um ao qual o mosquito já havia criado resistência. "Sem contar que ficamos 45 dias com as máquinas fumacê paradas, precisando ser reparadas. Isso claro que fez aumentar o índice agora", disse.

Além do índice elevado, a SMS está preocupada com o aumento no número de casos notificados da doença. Isso significa que aumentou também a circulação do vírus na cidade. "O índice de infestação pode ser baixo, mas se muita gente estiver com dengue, o mosquito vai ter mais pessoas infectadas para picar e mais pessoas para espalhar a doença. Então é importante, neste caso, que estejamos equipados, para quando uma pessoa for a um posto de saúde com suspeita da doença já estejamos na casa dela e na vizinhança para espalhar o fumacê", disse Rosa.

Os agentes afirmam que a população também é responsável pelo número elevado de focos. "O que a gente percebe visitando as casas é que cada um empurra a responsabilidade para o outro. Na empresa, o patrão acha que o funcionário tem de resolver isso, o funcionário acha que recebe mal e que não tem que fazer nada, que é o patrão. Nas casas, o morador joga a culpa no vizinho. E ninguém faz nada", afirmou Silva Filho.

Denúncias
Apesar disso, aumentou o número de denúncias feitas pelo telefone disponibilizado para atender a população nestes casos, o Disk Dengue (0800 646 1520). Cada uma das sete regionais nas quais está dividida a cidade recebe uma média de 20 a 25 denúncias diárias.

Uma das denúncias foi atendida na segunda-feira, na 6ª Avenida, no Setor Leste Universitário. Dezenas de pneus foram abandonados em um lote onde há um imóvel em ruínas. "Temos esse sério problema com as borracharias. Em vez de dar a destinação certa aos pneus, jogam em lotes baldios ou em córregos. Já tivemos outros casos assim", afirmou Paula.

Em algumas casas, a prefeitura tem recorrido à Justiça para conseguir entrar e eliminar os focos do mosquito. "São casas geralmente onde moram pessoas com transtornos mentais. Hoje mesmo entramos numa com autorização da Justiça. A pessoa disse que não estava nem aí para a dengue, que se pegasse ia no médico. Encontramos mais de 30 focos do mosquito lá", disse Rosa.

Após a visita aos 65 mil imóveis, os agentes iniciam um novo mutirão. Desta vez, em outros 10 bairros. "A ideia é visitar toda a cidade. Acho que nas próximas dez semanas ainda vai ser feio, mas depois vai melhorar. Estamos trabalhando para isso", disse Rosa.
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